Meu Primeiro e Único Amor

Eu nunca achei que meu primeiro namorado seria o homem com quem eu passaria o resto da vida. Sinceramente, sempre ouvi que o primeiro amor é aquele que mais machuca, que serve só pra ensinar, mas que nunca fica. Comigo foi diferente.

Eu conheci o Rafael no ensino médio. Ele era tímido, daqueles que mal levantavam a cabeça pra falar com alguém. Eu era o oposto: falante, sonhadora, vivia com os fones no ouvido e a cabeça nas nuvens. Um dia, o professor nos colocou em dupla pra um trabalho de literatura. Foi aí que tudo começou.

No começo, achei que era só mais uma amizade legal. A gente ria das mesmas coisas, trocava mensagens no fim do dia e dividia segredos como se a gente se conhecesse há anos. Até que, um dia, ele segurou minha mão. E foi ali, naquele gesto tão simples, que eu soube: meu coração tinha escolhido.

A gente começou a namorar pouco tempo depois. Meus pais disseram pra eu ir com calma, minhas amigas diziam que “ninguém fica com o primeiro amor pra sempre”. Mas com o tempo, o que a gente tinha só crescia.

Passamos por momentos difíceis, é claro. A faculdade me levou pra outra cidade, e a distância foi um teste duro. Houve dias em que chorei de saudade, em que quase desisti. Mas ele sempre esteve lá. Me esperava no terminal com flores simples, me escrevia cartas (sim, de papel!) e dizia: “A gente vai conseguir, porque o que a gente tem é raro demais pra ser deixado pra trás.”

E conseguimos.

Hoje, escrevo isso do sofá da nossa casa, com ele ao meu lado e nossos dois filhos brincando no chão da sala. Ainda olho pra ele e vejo o mesmo garoto do ensino médio — só que agora com mais rugas e mais histórias.

Sabe… às vezes, o amor da sua vida chega quando você menos espera, com um sorriso tímido e uma caneta emprestada numa sala de aula. E fica. Cresce. Transforma.
E eu sou prova disso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *